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TAVIRA
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SAGRES
( 3 itens )
Sagres
A vila de Sagres está localizada a Oeste, no barlavento Algarvio, é virada para a industria das pescas, constituindo uma das grandes fontes de rendimento local e riqueza para o país. Com os processos artesianas das pescas e a sua espectacular localização geográfica, fauna, flora, atraindo outras fontes de receitas as populações: turismo. As suas praias, a pureza das suas águas, a tranquilidade dos visitantes, a imensidão da sua paisagem, traz todos os anos milhares de visitantes que ficam apaixonados e regressam todos os anos.
A pesca desportiva tanto em apneia como á cana atrai milhares de pescadores de toda a região principalmente de dezembro a abril sendo considerado o paraíso do amantes deste desporto sendo as espécimes mais abundantes sargo, dourada, robalo, safia. pargo. viuvas.
Para desportos náuticos, nomeadamente: surf, windsurf, bodyboard, natação, mergulho, pesca desportiva, é sem duvida o melhor local do nosso país. Falando em pesca, é no Inverno que a pesca desportiva atinge o seu maximo, é um dos melhores pontos de pesca de toda a falesia costeira aonde todos os dias se tiram quilos de peixe, misturando o sabor da aventura, a adrenalina e o perigo, por vezes, para pesca-los, com algum risco. Mas o sabor gastronomico das especies capturadas em Sagres vale o perigo.
A sua localização geográfica assim o proporciona, em quaisquer condições atmosféricas, o oceano Norte e o Oceano Sul distanciam-se em poucos km`s, proporcionando aos desportistas que nos visitam, uma garantia de praticarem o seu desporto favorito, tornando-se para isso o oásis desses mesmos.
Sagres não é só um paraíso para os amantes de desportos náuticos, é também o local ideal para os apaixonados pela botânica, existindo algumas dezenas de espécies de plantas únicas no mundo, só sendo localizadas no barlavento Algarvio. A sua vegetação também se configura de forma algo estranha motivado pelo clima, pelos ventos de predominância Norte, que lhes conferem um aspecto gracioso. O seu clima, ao contrário de que pensa a maioria dos visitantes, é muito ameno e temperado no Inverno. Entre Maio e Agosto é assolado por ventos fortes do Norte. Sagres tem um clima único, a temperatura média mais equilibrada do nosso país, porque sendo um cabo dentro do mar, a temperatura é controlada pela água. Em certos dias de temporal, concedem a Sagres, espetaculos fabulosos, potentes, dignos de serem observados, como se pode ver pelas Fotos
A fauna existente em Sagres, deve ser uma das mais ricas do país, não só pelo plano de parque natural da Costa Vicentina, mas também por se encontrar na rota migratória de um grande número de aves, que por vezes, tendo a sorte de observar é um espectáculo único que chega a levar alguns dias.
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ALMANCIL
( 2 itens )
Localizada no Centro Litoral do Algarve, Almancil é uma vila interessante que cresceu no tempo para se encontrar com as necessidades do turismo. É uma vila repleta de lojas, restaurantes e comercio local. Para visitar existe o interior da Igreja de São Lourenço coberta de ajulejos azuis e brancos pintados à mão que descrevem a vida do Santo. A seguir à igreja é o centro Cultural de São Lourenço, varias exposições, eventos e jardins bonitos, Na Quinta do Lago e Vale do Lobo existem praias maravilhosas , campos de golf , lojas e muitos restaurantes excelentes.
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Lagos
( 2 itens )
Segundo a história mais recente, Lagos foi conquistada definitivamente aos mouros no ano de 1249 por D. Paio Peres Correia, tendo em 1266 recebido o seu primeiro foral, por atribuição do Rei D. Afonso III. Mas foi no reinado de Afonso IV que Lagos passou a ganhar maior notoriedade, quando este mandou que se fizesse a reconstrução das muralhas da praça e aí colocou a sede do governo militar do Algarve. Em 5 de Janeiro de 1361, Lagos era elevada a Vila e Concelho com jurisdição própria, no reinado de D. Pedro I, pois nessa altura a aldeia estava sob o comando do Bispo de Silves que o havia recebido por doação do rei de Castela.
Em 1415, com o Rei D. João I, iniciava-se a fase dos Descobrimentos Portugueses, chamada "Henriquina", tendo Lagos assumido nessa altura uma ainda maior importância, pois constituiu a plataforma geográfica na conquista de Ceuta e, depois, a partida para o sonho de um Algarve d'Além Mar, com o Infante D. Henrique a impor as suas ordens, mais tarde o senhorio da vila, que lho dera seu sobrinho Afonso V.
Dois lacobrigenses - Lourenço Gomes e António Gago - descobriam a Ilha da Madeira (1419). De Lagos partia em 1434, no reinado de D. Duarte, o navegador Gil Eanes, para dobrar o Cabo da Boa Esperança e por aí adiante...
Lagos tornava-se também um ponto de escala obrigatória para quase todos os navios.
Em em 27 de Janeiro de 1573, o Rei D. Sebastião elevou Lagos à categoria de cidade, na sequência de uma sua itinerância régia ao Alentejo e ao Algarve, em que o monarca terá ficado impressionado com o acolhimento das gentes de Lagos, pela simpatia e, segundo o Professor Joaquim Veríssimo Serrão, "levado pelo entusiasmo e sem que os naturais manifestassem qualquer desejo, logo decidiu elevar Lagos ao foro de Cidade".
A sede do Bispado é transferida de Silves para Lagos, que se torna a capital de todo o Algarve, recebendo a residência de Capitães Generais e Governadores deste Reino. Mas, a história de Lagos sempre esteve ligada ao mar e às actividades marítimas. Foi ponto de encontro de rotas internacionais. Em Lagos armou o Infante D. Henrique as caravelas que abriram caminho à era dos Descobrimentos, fazendo do porto de Lagos uma janela aberta ao mundo.
Hoje, a cidade mantém o seu antigo cosmopolitismo e a velha cumplicidade com o mar, respondendo aos desafios do presente, com respeito pelo passado.
Vale a pena visitar as suas igrejas, museus, castelo e as muralhas de onde se pode disfrutar belas vistas sobre a cidade, a baía e a serra de Monchique. A Ponta da Piedade é uma referência de visita obrigatória, tal como as praias deste concelho são das mais belas da região. Um passeio de barco pelas grutas e furnas marinhas, proporciona momentos inesquecíveis, de observação da costa d'Oiro, ideal para a prática de desportos náuticos.
Em Lagos, a maresia acompanha a sua gastronomia tradicional, designadamente, numas sopas de peixe, lingueirão ou conquilhas. Mas há mais!... A açorda de mexilhão, berbigão ou amêijoa, bem como umas sardinhas alimadas, um ensopado de safio ou uma feijoada de buzinas, sem esquecer o delicioso bife de atum ou uma condimentada cataplana, são pratos que compõem a rica ementa gastronómica de Lagos.
Falta-nos recomendar uma sobremesa. E, nesse sentido, nada melhor que os famosos Dom Rodrigos, uns morgados de figo e de amêndoa, ou um bolo de mel.
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PORTIMÃO
( 1 itens )
Portimão É sede de um município com 183 km² de área e 44 818 habitantes (2001), subdividido em 3 freguesias. O município é limitado a norte pelo município de Monchique, a leste por Silves e Lagoa, a oeste por Lagos e a sul tem litoral no oceano Atlântico.
História Vestígios arqueológicos comprovam a presença humana na zona desde o neolítico.
Neolítico Na zona de Alcalar encontra-se uma importante necrópole neolítica, da qual resta o "monumento n.º 7" composto por uma câmara circular de placas de xisto a que se acede por um corredor, a exemplo de monumentos idênticos espalhados por toda a Europa ocidental, com destaque para os monumentos encontrados na Irlanda.
O pavimento é de xisto e grés calcário. A cripta funerária, com dois nichos rituais laterais, era rematada por duas lajes, e protegida por uma mamoa. Perto de Alcalar existe outra necrópole em Monte Canelas.
Romanização O vestígio mais marcante ainda existente, situa-se perto da aldeia da Figueira, na zona da Abicada, na confluência de duas ribeiras, onde se pode encontrar uma estação arqueológica romana com várias salas.
No rio Arade foram encontrados vários achados arqueológicos, entre eles moedas de ouro romanas, ânforas e restos de embarcações.
Século XV É elevada a vila em 1453 com o nome de Vila Nova de Portimão.
Século XX No ano de 1924 ocorrem dois acontecimentos de especial importância, nomeadamente, a 11 de Dezembro, quando a "vila nova " é elevada a cidade pelo então Presidente da República Manuel Teixeira Gomes e a fundação da primeira comunidade cristã da Assembleia de Deus em Portugal, através do missionário José de Matos, responsável também pela fundação de outras igrejas da mesma denominação no Algarve, em Santarém e Alcanhões.
Após o pico e queda da indústria conserveira nas décadas de 50 a 70, escolheu um modelo de desenvolvimento, à semelhança do resto do Algarve, de centro turístico, apresentando uma ampla oferta em hotéis, restaurantes e comércio local.
Tornou-se destino de férias popular principalmente devido à famosa Praia da Rocha e é também considerada como cidade com grande potencial para apreciadores de pesca grossa (ex: espadarte), entre outros desportos náuticos, como o jet ski, a vela, o windsurf, mergulho ou pesca submarina.
Actualidade Nos últimos anos, a foz do rio Arade tem sido palco da prova portuguesa do campeonato internacional de Fórmula 1 em motonáutica.
Portimão é hoje um município de referência no Algarve. Pólo âncora do Barlavento Algarvio, distingue-se pela sua oferta turística, pelo seu pulsar e dinamismo, muito próprios, e por uma diversidade de actividades que fazem com que o seu dia-a-dia seja vivido, a variados níveis, de forma intensa e marcado por um ritmo que se mantém ao longo do ano.
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ALBUFEIRA
( 3 itens )
Albufeira é uma cidade portuguesa pertencente ao Distrito de Faro, região e subregião do Algarve, com cerca de 19 500 habitantes. O topónimo Albufeira provém da denominação árabe "al-Buhera" que significa "castelo do mar".
As origens de Albufeira são desconhecidas , mas tudo leva a crer que a região já era povoada em tempos pré-históricos e que o local onde hoje se ergue a cidade teria sido, alguns séculos antes da nossa era, uma importante povoação com o seu porto marítimo.
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Faro
( 2 itens )
O aglomerado proto-urbano de Faro, antiga Ossónoba, remonta à II Idade do Ferro (Sec. IV a.C. - Época Romana ). Os pratos de pescado encontrados em escavações no Largo da Sé comprovam os contactos comerciais mantidos com o Norte de África, pelo menos entre a 2.ª metade do séc. IV a.C. e o séc. III a.C..
Com a chegada dos romanos Ossónoba torna-se capital de civitas (vasto território) e tem direito a cunhagem de moeda ainda em época republicana. Cidade cosmopolita à qual afluem muitos estrangeiros e comerciantes vindos do Norte de África e de todo o vasto império romano. O mosaico de Oceano, encontrado há alguns anos numa rua da cidade de Faro, é um belo exemplar de uma rica associação de comércio marítimo outrora existente num dos principais portos do litoral atlântico. A importação de louça fina de mesa - a terra sigillata e a exportação de salsamenta (peixe salgado) e de garum (preparado de peixe) motivaram fortes contactos com o exterior. A riqueza da população de Ossónoba está bem patente na uilla de Milreu, nos arredores de Faro, tendo-se aqui descoberto três bustos imperiais ( Agripina séc. I d.C., Adriano séc. II d.C. e Galieno séc.III d.C.).
Na época árabe a cidade de Ossónoba, mais tarde de Santa Maria, é bem um exemplo do espírito de tolerância e mútuo conhecimento entre as comunidades muçulmanas e cristãs aqui fixadas, mantendo-se o estreito contacto com o Norte de África. Do imenso legado deixado pelos árabes chegaram até nós as duas portas de entrada na cidade árabe de Santa Maria.
Em 1249 os cristãos reconquistam Faro, ficando porém aqui fixada uma comunidade muçulmana como o atesta o foral de 1266 ao mouros foros. Para além da Mouraria, localizada extra-muros, desenvolve-se no século XIV a zona ribeirinha, tornando-se os mareantes os principais obreiros deste crescimento urbano. A Casa do Compromisso Marítimo e a Igreja de São Pedro atestam esse incremento. Os constantes privilégios concedidos pelos vários monarcas aos mareantes da cidade de Faro comprovam a importância que tiveram na cidade e o contributo dado à Expansão Marítima.
Conforme refere Alberto Iria, na vila de Faro “viviam numerosos cavaleiros e escudeiros e ali vinham com frequência bastantes estrangeiros, precisamente na época em que o Infante D. Henrique procurava interessar também os particulares nas primeiras viagens de exploração comercial para a Guiné” .
Em 1499, o rei D. Manuel I promove a renovação urbana de Faro. O centro da vila, que se situava nas Alcaçarias (actual Pontinha), passa para a Ribeira (actual baixa) onde manda construir a Alfândega, um hospital e a Ermida do Espírito Santo (actual Igreja da Misericórdia) e um açougue. A actual estruturação urbana do Centro Histórico de Faro remonta a este período, tendo-se assistido à elevação a cidade em 1540 e à transferência para esta localidade da sede do assento episcopal, em 1577. A crescente prosperidade económica traduz-se no aparecimento de quatro conventos ( São Francisco em 1517, Nossa Senhora da Assunção em 1519, Santiago Maior da Companhia de Jesus em 1603 e Santo António dos Capuchos em 1620) e no envolvimento de toda a cidade por baluartes, nos meados do século XVII, para a defenderem de uma eventual invasão espanhola.
No século XVIII a cidade de Faro já era o principal centro urbano da região e também o mais próspero e o mais populoso. A (re)construção de templos e edifícios públicos, habitacionais e as sucessivas campanhas de ornamentação proporcionaram um ambiente artístico digno de registo. As Igrejas da Sé, das Ordens Terceira de Nossa Senhora do Carmo e de São Francisco, da Misericórdia e do antigo Convento de Santo António dos Capuchos constituem interessantes testemunhos do esplendor então vivido.
Hoje a cidade de Faro promove o espírito dos Descobrimentos ao valorizar o passado através da revitalização, recuperação e protecção do seu Centro Histórico. Por sua vez, a Universidade e os restantes equipamentos de ensino e de cultura apostam na crescente qualificação do nível de vida e deste modo preparam o futuro. Deste modo, Faro reafirma a sua capitalidade regional.
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OLHÃO
( 3 itens )
Os achados arqueológicos comprovam a presença humana na área do Concelho de Olhão desde o Neolítico.
A ocupação romana deixou vestígios importantes em Olhão (tanques de salga de peixe descobertos em 1950, durante a construção do Porto de Pesca) e em Marim, junto à Ria, onde existia uma importante villa agrícola e pesqueira no séc. II ao IV. Aqui os romanos construíram salinas e implementaram a indústria de pesca e salga de peixe, cujos produtos eram depois exportados para todo o Império (alguns antigos tanques de salga de peixe estão actualmente expostos no Parque Natural da Reserva da Ria Formosa).
Com a queda do Império Romano e a chegada dos Visigodos, Marim continuou a ser um local importante, no qual foi encontrado uma lápide cristã datada do séc. VI.
A ocupação árabe iniciou-se no séc. VIII e apenas terminou no séc. XIII, tendo deixado memórias e um legado importantíssimo em todo o Algarve mas, no caso específico de Olhão, embora seja considerada uma terra de características acentuadamente mouriscas, não se conhece qualquer construção importante deixada pelos árabes! Esta é uma das singularidades históricas de Olhão: é a única terra com características mouriscas construída por europeus, sem qualquer herança histórica mourisca! As razões que explicam uma tal singularidade são expostas no final deste documento.
Após a expulsão dos árabes do Algarve no séc. XIII, Marim continua a ser o povoamento mais importante da região que, aliás, poderá estar associada à origem de Olhão, tanto por ter sido o primeiro ponto de fixação humana na região, como por ter um grande olho de água doce e que poderia ter dado origem ao topónimo de Olhão (no entanto, segundo a maioria dos historiadores, o grande olho de água que deu origem ao topónimo não se encontrava em Marim, mas sim perto do actual Jardim João Serra - o "Poço Velho"). Efectivamente, no reinado de D. Diniz, em 1282, iniciou-se a construção da Torre de Marim, cujos restos ainda existem na actual Quinta de Marim, para vigiar a Barra Velha (na época a única entrada do mar para a Ria Formosa na região entre a Fuseta e Faro) e proteger os habitantes dos ataques dos piratas mouros. Esta Quinta foi desde logo uma rica empresa agrícola, atendendo à fartura de água da sua nascente, o que aliás está relacionado com a bonita Lenda da Moura de Marim.
Em data incerta (provavelmente séc. XVI e até 1840) instalou-se aqui uma armação do atum que atraía algumas dezenas de pescadores de Faro, acompanhados pelas famílias, nos meses de Março, Abril e Maio.
Certamente alguns destes pescadores, ao verificarem a abundância de peixe da Ria Formosa, decidiram permanecer nas humildes cabanas construídas de madeira, canas e palha, onde hoje se ergue a zona antiga da cidade.
O primeiro documento que se refere a um "logo que chamam olham" é datado de 1378 e, em 1614, os registos da Paróquia de Quelfes já se referiam aos moradores da Praia de Olhão, que na época integravam esta paróquia.
A população foi crescendo e, em 1679, a sua importância justificava a construção da Fortaleza de São Lourenço para defesa contra os ataques dos piratas.
Só em 1695 o Lugar de Olhão se constitui como nova freguesia autónoma de Quelfes. O primeiro edifício de pedra foi a Igreja da Nossa Senhora da Soledade, construída em data incerta, e o segundo edifício de pedra foi a Igreja de Nossa Senhora do Rosário, começada em 1698 e terminada em 1715.
Também só neste ano de 1715 é autorizada a primeira habitação em alvenaria, dada expressamente pela Rainha ao mareante João Pereira. Efectivamente, o poder político em Faro sempre recusou construções de alvenaria em Olhão até esta data.
Curiosamente, o Marquês de Pombal, em inquérito efectuado no então Reino do Algarve perguntava pela identificação dos notáveis de cada localidade. Olhão não tinha quaisquer notáveis! Era uma pequena localidade sem aristocracia, apenas constituída por homens do mar, a quem recusavam tanto a autonomia administrativa como o direito à construção de uma simples casa de alvenaria!
No entanto, Olhão foi-se construindo de uma forma igualitária, livre, e frequentemente à revelia e em rebelião com o Poder político instituído, representado sobretudo pelas duas importantes cidades vizinhas - Faro e Tavira.
Em 1765, e sempre com a firme oposição de Faro, El-Rei D. José concede finalmente aos mareantes do Lugar de Olhão (então com 850 fogos) a autorização de se separarem da Confraria do Corpo Santo de Faro, constituindo eles mesmos uma confraria sua, que suportariam às suas custas - o Compromisso Marítimo.
Foi durante o cerco de Gibraltar, de 1779 a 1783 (imposto pelas armadas francesa e espanhola), e mais tarde o de Cadiz, que os marítimos deste Lugar de Olhão tiveram oportunidade de progredir economicamente, comercializando com grandes lucros os produtos da terra - peixes e derivados - quer com sitiantes quer com sitiados. Mas foram as invasões francesas que deram a oportunidade a Olhão de se afirmar politicamente.
Provavelmente devido ao seu espírito igualitário, sem compromissos com quaisquer poderes instituídos, os olhanenses protagonizaram no séc. XIX a primeira sublevação bem sucedida contra a ocupação francesa (em 16 de Junho de 1808, actualmente o dia da Cidade), que se tornou um rastilho decisivo para a expulsão dos franceses do Algarve. sublevacao.jpg (35234 bytes) Este momento histórico foi determinante para a emancipação de Olhão, porque o rei D. João VI (1767-1826), então refugiado no Brasil, recebeu a boa nova da expulsão dos franceses através de um punhado de olhanenses que se meteram ao mar a bordo do caíque "Bom Sucesso" no dia 6 de Julho de 1808, numa viagem heróica, apenas orientados pelas estrelas, as correntes marítimas e um mapa rudimentar! O rei, reconhecido pela iniciativa da sublevação e pelo heroísmo da viagem marítima, elevou o pequeno e desconhecido Lugar de Olhão a vila, em 1808, com o epíteto de Vila da Restauração.
De 1826 a 1834 os olhanenses lutam encarniçadamente por D. Pedro contra D. Miguel, transformando-se a vila num dos mais fortes baluartes do Liberalismo no sul do País, resistindo a apertados cercos e violentos ataques dos Miguelistas.
Em 1842 é criada na vila uma Alfândega que, em cerca de 20 anos, se torna o mais importante posto aduaneiro do Algarve devido à pesca e outros produtos algarvios. Por esta razão em 1864 é criada uma Capitania do Porto e, em 1875, o Tribunal Judicial de Olhão.
Na última metade do séc. XIX, a actividade comercial desenvolvida pelos marítimos olhanenses, cresceu imenso, estendendo-se até ao Mediterrâneo Oriental. São conhecidos nesta época contactos com o Mar Negro (em 1871, um caíque capitaneado por António da Silva Guerreiro, foi até Odessa, na Rússia, para comprar cereais) e outras paragens como Oram, Nemours, Philippoville, Sardenha.
São os contactos comerciais e a emigração para Marrocos que leva muitos olhanenses a construir as suas habitações de modo semelhante, cúbicas e caiadas de branco, o que valeu a Olhão a alcunha de "vila cubista". Isto explica porque Olhão é o único exemplo de povoamento moderno e ocidental (nunca foi um povoamento árabe) com características vincadamente mouriscas.
Na primeira metade do séc. XX, a instalação da indústria de conservas de peixe, fez de Olhão uma vila rica e extremamente produtiva. A primeira fábrica de conservas surgiu em 1881, fundada pela empresa francesa Delory, e em 1919 já existiam cerca de 80 fábricas. Talvez expressão desse desenvolvimento foi o facto de o Sporting Clube Olhanense ter-se consagrado Campeão Nacional de Futebol em 1924.
Infelizmente, na última metade do séc. XX, a decadência da indústria conserveira e da própria pesca empobreceu a vila que, no entanto, foi elevada a cidade em 1985.
Actualmente, Olhão renasce com o mesmo espírito igualitário e de liberdade que a define. Continua a ter na pesca um dos esteios da sua economia, mas começa a lançar-se de forma decidida no turismo de qualidade, com a recente construção do porto de recreio.
Em 16 de Junho de 2002, a autarquia lançou à água uma réplica do caíque "Bom Sucesso", que actualmente promove visitas e passeios guiados ao longo da Ria Formosa. Esta embarcação está ancorada entre os Mercados Municipais.
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