A Ria Formosa e o estuário do Rio Guadiana são duas referências do ambiente Algarvio; os serviços e usos prestados por estes ecossistemas são primordiais para o Algarve pelo seu valor ecológico, socio-económico e de turismo. No entanto, as actividades humanas e as mudanças climáticas têm tido um impacto nos seus sistemas aquáticos, terrestres e atmosféricos, modificando as interacções entre elas.
Por exemplo, a construção de mais de 100 barragens na bacia do Guadiana (particularmente a barragem do Alqueva que duplicou o volume da água já retido), e na Ria Formosa a bioacumulação e a contaminação do solo, com águas residuais e outras descargas das actividades antropogénicas conduz à degradação da qualidade de água e dos serviços do ecossistema. Assim, manter as funções e processos do ecossistema é crucial para evitar a degradação do meio ambiente e a perda da biodiversidade, resultado da eutroficação ou da ocorrência das algas tóxicas, e para sustentar actividades, tais como o turismo ou a pesca. Para cumprir este objectivo é necessário implementar soluções de Ecohidrologia ou de fítotecnologia. O Programa Hidrológico Internacional (IHP) e o Programa O Homem e a Biosfera (MAB) da UNESCO tiveram um papel importante na definição destes conceitos que constituem uma ciência integrativa nova que tem como objectivo encontrar soluções para as problemáticas que dizem respeito à água, aos povos, e ao ambiente. Na conformidade com as directivas nacionais e europeias, para a conservação da biodiversidade (CE - Directiva “Habitat”) e assegurar o bom estado ecológico dos ecossistemas aquáticos (CE - Directiva Quadro da Água), a equipa de investigação EcoRecursos (CCMAR - Ecohidrologia dos Recursos Pesqueiros) trabalha no desenvolvimento de medidas de adaptação e mitigação que podem ser accionadas proactivamente a fim de preparar os ecossistemas e as sociedades para as mudanças e assegurar a conservação e sustentabilidade dos usos e serviços dos ecosistemas. As propriedades do Rio e da Ria são assim apontadas como ferramenta de gestão usando a biota para controlar processos hidrológicos e, vice-versa, usando a hidrologia para regular a biota. Isto depende de um conhecimento profundo dos processos e do funcionamento dos ecossistemas. Um longo caminho que todos nós temos pela frente. fonte: Centro de Ciências do Mar |