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O local de implantação do Geostar, estrutura construída e equipada para o estudo de tsunamis, não foi escolhido ao acaso. Há uma década que se realizam estudos nesta área e foram localizadas as placas tectónicas, a 80 milhas da ponta de Sagres (aproximadamente 150 quilómetros), que se acredita terem estado na origem do terramoto de 1755 .
O Geostar vai ficar instalado em cima dessas placas tectónicas para as monitorizar. Nevio Zitellini, cientista do Instituto de Ciências Marinhas, Itália, (IRA) e responsável pela coordenação do projecto explica ao Observatório do Algarve que “não se sabe quando um sismo forte pode provocar ou não um tsunami e não sabemos em que altura é que o tsunami se forma, em relação ao sismo. Um sismógrafo em terra não consegue detectar um tsunami”. “Um dos factos de não sabemos o porquê de um tsunami ser gerado é porque nunca medimos a sua formação”, acrescenta. O cientista explica que o Algarve, à semelhança de toda a zona do Mediterrâneo, encontra-se numa zona de risco sísmico e de tsunamis e dado que as áreas com mais actividade se encontram muito perto da costa, a preocupação em estudar e prevenir este fenómeno aumenta. “Do ponto de vista estatístico, não sabemos quanto tempo passa entre réplicas de tsunami”, diz Nevio Zittelini e acrescenta que esse é um dos objectivos do estudo. Paulo Favalli, cientista do Instituto Nacional de Geofísica e Vulcanologia de Itália (IMGV) que desenhou o Geostar, explica que a investigação ainda está no começo: “É apenas um protótipo que serve para dar o alarme”. “Trata-se de uma amostra de território porque é apenas um projecto, estudar uma área maior seria demasiado dispendioso”, diz Paulo Favalli referindo-se à área em estudo. Foi escolhida uma área específica, estudada afincadamente ao pormenor, ao nível geológico e topográfico, entre outros, e que irá servir como amostra para o desenvolvimento de estudos posteriores. O que se pretende é detectar a formação do tsunami e poder estudar esse fenómeno. Um dos aspectos da investigação inclui a previsão do movimento da onda, sabendo para que zona se dirige, para poder ser efectuado um alerta junto das autoridades portuguesas. A par com a colocação do Geostar, vão ser instalados 24 sismógrafos nas costas de Portugal, Espanha e Marrocos, o que irá permitir estudar todos os pontos a que os investigadores se propõem. Os cientistas do projecto deixam bem claro que eles apenas estudam os fenómenos e avisam as autoridades em caso de perigo, a parte relacionada com o alerta das populações e execução de planos de emergência é algo que os ultrapassa e deve ser acautelado pelas autoridades competentes. Estudo integrado em projecto europeu O estudo está integrado no projecto europeu “Nearest”, que significa “Integrated observations from NEAR shore SourcES of Tsunamis: towards an early warning system”. A investigação teve início em 2006 e tem a duração de três anos, terminando em 2008. O projecto envolve onze parceiros (dez instituições europeias e uma marroquina) e nele trabalham cerca de 70 a 80 pessoas. Durante cerca de um ano os equipamentos (Geostar, bóia de transmissão de dados que fica à superfície e sismógrafos) vão ficar no mar. No final de 2008 o equipamento é recolhido. Nos planos da equipa consta também poderem fazer uma terceira viagem para efectuarem a medição das ondas de refracção da crosta terrestre na mesma área. Por enquanto tudo não passa de um estudo onde será testado um protótipo. No futuro, a equipa espera que os resultados possam utilizados a nível mundial e que a zona agora utilizada para a investigação possa vir a integrar um observatório permanente de alerta de tsunamis. Como funciona? A partida para alto mar ainda não tem data exacta. Prevê-se que aconteça no dia 21 ou 22 de Agosto. “Tudo depende das condições meteorológicas, o mais provável é acontecer no dia 22”, explica Francesco Chierici, um dos cientistas do projecto que guiou o Observatório do Algarve numa visita ao “Urania”, um navio de investigação científica com 1200 toneladas, 87 metros de comprimento, 11 de largura e 18 metros de mastro. O “Urania” vai transportar todo o equipamento até ao alto mar e através de um cabo telescópico e de câmaras instaladas no Geostar os cientistas conseguem controlar e colocar a estrutura exactamente onde pretendem. A operação é delicada mas todos estão confiantes. “O comandante do navio é muito experiente e já fez esta operação algumas vezes”, comenta Francesco. Boas condições atmosféricas são essenciais para o sucesso da operação. “É preciso o mar estar calmo, não haver ondulação, para conseguirmos fixar a estrutura”. O Geostar sai do navio pela popa (parte traseira) e a bóia por estibordo (lado direito) da embarcação. Depois de instaladas todas as estruturas, que incluem material de fixação, a transmissão de dados é feita do Geostar para a bóia, da bóia para um satélite e daí para terra, para todas as estações dos parceiros no projecto. Curiosidades Em Portugal os parceiros são o Instituto de Meteorologia (Divisão de Sismologia) e a Fundação da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FFCUL)/Centro de Geofísica da Universidade de Lisboa. O Geostar pesa 3 toneladas, está equipado com sismómetros e sensores de pressão, que servem para detectar sismos e variações na altura de coluna de água, e vai ficar instalado a 3.200 metros de profundidade. Se um sismo no mar tiver mais de 6,5 de magnitude e a variação na altura da coluna de água ultrapassar três centímetros, a estação começa a enviar dados para terra. As ondas baixas, em alto mar, deslocam-se a uma velocidade de 900 quilómetros por hora, a 6000 metros de profundidade. Ao chegarem perto da costa, as ondas abrandam e são comprimidas ganhando altura. fonte: observatório do algarve |