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Algarve descobre os Pólos
O Ano Polar Internacional arranca hoje, e o Algarve está representado com dois investigadores algarvios. Os cientistas, da Universidade do Algarve, querem saber como se alimentam os grandes predadores do gelo. Milhares de cientistas e centenas de instituições de todo o mundo juntam-se em torno do Ano Polar Internacional (API), que hoje arranca oficialmente e que irá decorrer no biénio entre Março de 2007 e Março de 2009.
O API, que se realiza pela quarta vez, tem como objectivos principais desenvolver investigação científica nas duas regiões polares, o Árctico e a Antártida, demonstrando junto da sociedade o papel fundamental destas regiões nas alterações climáticas do planeta Terra.

Diga um ano...e leve dois, porque na realidade o Ano Polar são dois, dois anos de investigação: “A investigação nas regiões polares faz-se apenas no Verão” e os cientistas pretendem “um período de investigação continuado nos dois pólos”, como explica ao Observatório do Algarve Gonçalo Vieira, coordenador do API em Portugal.

Participação Portuguesa

Portugal associou-se à iniciativa e há dois anos que trabalha na preparação do API, tanto a nível científico como educativo.

Segundo Gonçalo Vieira, entre as várias dezenas de milhar de investigadores e técnicos envolvidos no API, quinze cientistas são oriundos de diversas universidades portuguesas.

O Comité Português do API é composto pelo Centro de Estudos Geográficos da Universidade de Lisboa, pelo Centro de Ciências do Mar (CCMAR) da Universidade do Algarve e pela Associação de Professores de Geografia.

A "nossa" participação no API pretende “desenvolver a investigação portuguesa nas regiões polares”, bem como “estreitar e reforçar laços na colaboração científica com outros países com programas de investigação nas regiões polares”, como pode ler-se na página online do Comité Português do API (http://anopolar.no.sapo.pt/comite/index.htm).

A assinatura do "Tratado da Antárctica” e a divulgação da importância das regiões polares e do seu estudo junto dos políticos, media, publico em geral e ensino (primário, básico, secundário e superior)” são mais dois dos objectivos dos participantes portugueses.

Algarvios nos pólos

O CCMAR da Universidade do Algarve conta com dois cientistas a desenvolver projectos no âmbito do API: Adelino Canário e José Xavier, sendo que o Centro trabalha em duas investigações na área das Ciências Biológicas.

José Xavier explica ao Observatório do Algarve que um dos projectos está “ligado à biodiversidade”, sendo o objectivo perceber a influência dos “efeitos climáticos na dieta dos grandes predadores, no topo da cadeia alimentar”.

O segundo projecto é “mais global” e centra-se na influência das “variações climáticas nos organismos”.

Os dois investigadores da Universidade do Algarve são os autores do livro “Estratégia Científica para o Ano Polar Internacional”, apresentado em Novembro de 2006, no "III Workshop Portugal e a Antártida: uma estratégia para a ciência e para a educação”.

O livro, que está editado em português e em inglês, marca o início da participação científica portuguesa no Ano Polar Internacional e inclui um levantamento das actividades científicas portuguesas, definindo as prioridades da investigação científica nacional nas regiões polares, em particular na Antártida.

Projecto “Latitude 60”

A par com os projectos científicos, o API desenvolve um projecto educacional com o nome “Latitude 60”.

O projecto educacional é dirigido a professores e estudantes de todos os níveis de ensino, desde a pré-primária até ao ensino superior.

Neste momento estão envolvidas no projecto 66 escolas de todo o país, oito delas algarvias.

O “Latitude 60” permite aos alunos envolvidos uma relação mais próxima com os cientistas do API, além de ficarem a conhecer muito melhor as características das regiões polares, bem como a influência destas na vida de todo o planeta Terra.

O Ano Polar Internacional

Apesar de ser este apenas o quarto Ano Internacional Polar, a vontade de desenvolver investigação sobre e nas regiões polares não é recente.

O primeiro API realizou-se em 1882/83, inspirado no explorador e cientista austríaco Karl Weyprecht, que em 1872/74 comandou uma expedição Polar Austro-Húngara.

O Segundo Ano Polar realizou-se em 1932/33 e o terceiro em 1957/58.

O International Council for Science (ICSU) e a World Meteorological Organization (WMO), são as duas instituições responsáveis pelo API a nível mundial.


fonte: observatório do algarve
 
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