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O Vila Sol Spa e Golf Resort, empresa do Grupo Atlântica, promoveu ontem, dia 13, em Quarteira, a apresentação de um sistema de drenagem dinamarquês que controla a erosão costeira, denominado Ecoplage, e que o grupo pretende comercializar em Portugal, numa altura em que a erosão costeira é um problema visível e grave desde a Costa da Caparica às várias praias algarvias.
O Ecoplage é um sistema ecológico de drenagem, implantado a dois metros de profundidade sobre os areais na zona de rebentação, com o objectivo de filtrar a água das ondas, evitando que a mesma regresse ao mar e faça recuar as areias. Como a água é filtrada, as areias trazidas pela rebentação assentam na costa. Por sua vez a água filtrada é encaminhada pela rede de tubos subterrâneos em pvc e posteriormente devolvida ao mar ou à terra (a montante), sendo que os responsáveis pelo sistema salientam: “a água recolhida pode ser usada em aquários, salinas, piscinas, dessalinização”. O sistema não é novo. Foi inventado pelo Instituto Geotécnico Dinamarquês em 1983. Tem sido implantado pela Ecoplage SA (empresa com sede em França que tem o mesmo nome do sistema) em várias praias em todo o mundo, nomeadamente nas costas francesas desde 1999. Nalguns destes casos, dizem os responsáveis, “os areais subiram entre 40 e 50 cm em dois anos”, pelo que para a empresa, segundo o director-geral, Jean-Yves Audrian, “o processo já não é experimental”. “As experiências em França foram acompanhadas por três universidades, que apreciaram e validaram os trabalhos”, reforçou. O Ecoplage pode ser implantado em cerca de 70% das praias em todo o mundo, acrescentou ainda Audrian, realçando que apenas não pode ser pensado para praias com rocha logo abaixo do areal. De resto o sistema aceita várias morfologias de praias, quer sejam planas ou inclinadas, como as do Algarve, por exemplo. No fundo trata-se de um processo que não repõe areia mas retém. Ou seja, impede que a areia que chega com as ondas e com o ciclo natural das marés, principalmente no verão, não seja de novo arrastada mar adentro. É um sistema com resultados a médio prazo, normalmente visíveis dois após a instalação. Outro argumento da empresa é o facto de o processo “não ter impacto no meio ambiente, quer na fauna quer na flora”, assegurou o engenheiro dinamarquês mentor do sistema, Hans Vesterby, também presente na ocasião. O responsável lembrou ainda que o sistema é “quase totalmente invisível”. “Apenas as tampas da estação de bombagem (pequena infra-estrutura de betão enterrada na areia, a montante, onde estão as bombas de água) são visíveis, porém discretas”. A implementação e os custos do Ecoplage A instalação dos tubos é feita durante as marés vazias no Inverno. A obra avança em média 300 metros por cada maré. Para uma praia de 1 km a obra estará pronta em três meses, sendo que o custo é em função do comprimento da praia. Questionado sobre quanto custaria instalar o sistema na praia do Ancão, Almancil, Jean-Yves Audrian respondeu que “cada caso é um caso”. Mas deu exemplos do passado como linha de orientação. Em Les Sables d’Olonnes, uma praia no oeste francês, a obra custou 700 mil euros para 1200 metros de praia. O valor incluiu as despesas com a estação de bombagem. “Por alto”, rematou Audrian, “o valor rondará entre os 1200 e os 1500 euros por metro”. “Iremos ter uma atitude pró activa”, disse Pedro Farinha dos Santos, do Vila Sol Spa e Golf Resort, sobre como encontrar parceiros para “uma eventual” instalação do sistema na referida Praia do Ancão, onde o Vila Sol tem interesses turísticos. Ou seja, o Vila Sol tentará conseguir parcerias com várias entidades, entre elas o Município de Loulé, e até apoios comunitários, como o fez França, que conseguiu fundos europeus na ordem dos 50%. O primeiro sistema Ecoplage foi implantado há 25 anos e “nunca sofreu um entupimento, recolhendo entre 400 e 500 m3 de água por hora, 24 horas por dia”, assegurou Jean-Yves Audrian. Apenas as máquinas (bombas de extracção) requerem manutenção, mas “muito mais barata” do que o sistema de reposição de areias – usado em Portugal – com resultados efémeros, uma vez que não detém a erosão. Na ocasião estiveram presentes representantes de várias entidades públicas e privadas, regionais e nacionais, com interesse na matéria. Foram colocadas diversas questões, sendo que o sistema foi, aparentemente, bem acolhido. Porém a eventual comercialização e implementação do mesmo vai exigir ainda muitos estudos, inclusive de impacto ambiental, e consequentes autorizações de várias entidades. fonte: região sul |