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A presidente do Conselho de Administração do recém-nomeado Hospital Central de Faro disse à Lusa que a mudança de categoria permite ao Hospital de Faro ter uma "situação de conforto significativo", porque o financiamento aumenta em cerca de 25 por cento. "Com a produção e actividade que o hospital tem [o aumento de financiamento] vai permitir-nos cobrir grande parte das despesas que o hospital gera", disse Ana Paula, revelando-se, contudo preocupada, com a situação que herdou do passado "que não era de tanto conforto".
Segundo Ana Paula Gonçalves, o Hospital de Faro, com 492 camas, gasta por ano cerca de 110 milhões de euros, dos quais 22 milhões são para medicamentos, um gasto avultado para um hospital financiado pela categoria de distrital e a desempenhar valências de central.
Com a requalificação dada pelo Ministério da Saúde, o Hospital de Faro (HF) passa a ter uma receita que cobrirá "grande parte das despesas" e que trará uma "situação de um conforto significativo", admite a presidente do Conselho de Administração daquela unidade hospitalar.
Ana Paula Gonçalves acredita que assim que o HF tenha estatuto de Entidade Pública Empresarial (EPE) - previsto para o segundo semestre deste ano ou início de 2008 -, novos serviços médicos como o de genética médica, imunoalergologia, cirurgia vascular ou reumatologia, passem a ser uma realidade no Algarve.
A qualificação de Central vai ser "mais atractiva para trazer profissionais para a região, porque é diferente fazer carreira num hospital central do que num distrital", admite aquela responsável.
A unidade hospitalar de Faro tem se "preparar para uma mudança tranquila para o futuro Hospital Central do Algarve", um projecto prioritário para o Ministério da Saúde e previsto ser construído de raiz junto ao novo Estádio Algarve.
Segundo a médica e administradora do HF, há cerca de dez anos que o Hospital Distrital de Faro oferece cuidados quer ao nível das especialidades ou meios técnicos "em tudo semelhante à dos hospitais centrais de Braga, Viseu ou o Garcia de Horta (Almada)", mas só depois de um conjunto de diligências e com base num estudo é que foi reconhecido este ano como Central.
"Em tudo somos iguais, quer em termos quadros de pessoal e lotação, a despesa é semelhante, o nível de valências é semelhante, e portanto continuávamos a ser financiados por preços de hospital distrital e não nos parecia adequado", explicou.
O HF, em conjunto com a Administração Regional de saúde do Algarve (ARS), está a trabalhar para que aquela unidade de saúde passe a ter estatuto de EPE nos próximos meses, facto que permitirá, por exemplo, avançar com mecanismos contratuais diferentes dos vigentes.
Se o hospital passar a ter estatuto de EPE, os profissionais contratados deixam de estar vinculados às carreiras da Administração Pública. Ou seja os incentivos dos profissionais de saúde passam a ser feitos por contrato de trabalho, que pode ter além da remuneração fixa, remunerações variáveis de acordo com a produção, experiência, habilitações académicas.
O presidente da ARS do Algarve, Rui Lourenço explicou, por seu turno, que as novas unidades médicas que se criem no hospital de Faro só podem ser programadas a partir do momento em que o hospital passe a EPE.
"Um hospital para construir um outro serviço tem que organizar-se entre o ponto de vista de recursos humanos, financeiros, equipamento e calendário", e o que está previsto, e se o calendário for publicado até final de 2007, é que num "horizonte de cinco anos" seja possível ter mais serviços.
fonte: Observatorio do Algarve |