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É imponente, totalmente feito em madeira e salta à vista de quem desembarca na Ilha Deserta. Desde logo se levantaram vozes a criticar a construção de um "hotel" em pleno Parque Natural da Ria Formosa, mas afinal não passa de um restaurante. A Ilha Deserta, situada frente a Faro, era um paraíso quase inatingível até ao final da década de 80, altura em que José Vargas começou a organizar visitas turísticas de barco até àquela que é considerada uma das ilhas mais selvagens do Algarve.
Para que os visitantes da ilha tivessem onde petiscar, decidiu abrir um restaurante para servir de apoio ao percurso. Cedo o "Estaminé" passou a ser conhecido como "o" restaurante no Algarve onde só se chegava de barco.
Quase duas décadas depois, o empresário achou que era altura de desactivar o velho restaurante para dar lugar a um novo, escassos metros ao lado, mas maior e com melhores condições e equipamentos.
Consciente dos boatos que correm do novo "hotel" de três andares que está a ser construído na Deserta, José Vargas encolhe os ombros e vai dizendo que o tema até já foi levado a discussão na Assembleia Municipal de Faro.
"As pessoas estão habituadas a ver a ocupação deste espaços com estruturas menos nobres e depois espantam-se de ver algo pensado e executado com rigor", observa, acrescentando que o investimento rondou os 600 mil euros.
O presidente da Câmara de Faro confirmou à agência Lusa que o novo espaço está "legal" e que o processo de construção respeitou todas as exigências necessárias para as áreas classificadas.
De acordo com fonte do Parque Natural da Ria Formosa, a licença é da responsabilidade do Instituto Portuário e dos Transportes Marítimos (IPTM), não se aplicando, neste caso, o estipulado no Plano de Ordenamento da Orla Costeira (POOC) entre Vilamoura e Vila Real de Santo António, regulamento que José Vargas até seguiu.
"Entedemos que não deveria ficar muito diferente dos outros apoios de praia do POOC, no que respeita a tipo de materiais, sobreelevação e espaços funcionais", ressalvou a mesma fonte ao Observatório do Algarve.
O restaurante, com capacidade para 140 pessoas, é totalmente construído em madeira e assente sobre estacas para permitir a circulação de areias - obrigatório segundo os regulamentos do parque -, e é auto-suficiente em termos de energia.
Além de ser dotado de painéis solares, a água que vai ser utilizada na cozinha e balneários será captada dos lençóis freáticos que se estendem pela área subterrânea da ilha e depois sujeita a um processo de dessalinização.
Para que o novo restaurante entre em funcionamento, o que deverá acontecer em Agosto, embora a abertura estivesse prevista para 01 de Junho, o velho tem que ser desmontado, já que se trata de um processo de substituição.
"Só pode haver um restaurante na ilha e nós não podemos demolir nada para não interferir com o ecossistema, a estrutura vai ser desmontada e o terreno reorganizado", explica Isabel Vicente, esposa do empresário.
Além do restaurante, os dois exploram a concessão do transporte fluvial para a Ilha Deserta, os apoios de praia e toldos e o circuito natureza, que diariamente leva turistas e amantes das aves a passear na Ria Formosa.
"Nós é que fizemos isto tudo, até as passadeiras são 100 por cento fruto de investimento privado, apesar de ser tudo de usufruto público", diz Isabel.
Uma das vantagens do novo espaço é a de que poderá estar aberto durante todo o ano e não apenas no Verão, já que os tectos são rebatíveis e a estrutura circundada por grandes janelas de vidro.
A Ilha Deserta estende-se por 11 quilómetros e é uma das cinco ilhas barreiras da Ria Formosa, além das ilhas da Culatra (onde existem, além deste, mais dois núcleos habitacionais: Farol e Hangares, Armona, Tavira e Cabanas.
A Ria Formosa é uma laguna que se estende por 60 quilómetros e vai da Manta Rota (junto à fronteira com Espanha) à Praia do Garrão (junto a Almancil), albergando além das cinco ilhas, duas penínsulas: a de Cacela Velha e a do Ancão (onde se situa a Praia de Faro).
fonte: Observatorio do Algarve |