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Ouvir para decidir o futuro do Algarve
O presidente da Federação do Partido Socialista algarvio, Miguel Freitas, realizou na passada sexta-feira, no restaurante do hotel Tivoli Arade, em Portimão, a primeira reunião do seu Conselho Consultivo (CC), que se compõe de cerca de 70 elementos, “recrutados” na sociedade algarvia, em diversas áreas dos sectores público e privado.
Ao primeiro encontro compareceram 54 conselheiros, entre políticos, empresários, docentes, gestores, médicos, técnicos e especialistas de diversas áreas e também alguns históricos do PS, como João Cravinho e Luís Filipe Madeira, que nesta inciativa deverão continuar a dar o seu contributo no combate às “fragilidades da região”.

De referir que entre os conselheiros encontravam-se também ex-autarcas, ex-governantes, homens e mulheres da ciência, do saber e da cultura, tendo o desporto ficado (aqui) “fora de jogo”. Nem todos procuraram corresponder com as três sugestões “de interesse para o Algarve” como Freitas havia requerido, e acabaram mesmo por repetir-se e focar, por vezes, situações menos relevantes, que à discussão do futuro da região algarvia de pouco ou nada valem.

Ainda assim, o “fórum” não deixou de ser interessante, valendo pela muito elogiada e “brilhante iniciativa” que o deputado e presidente do partido na região em boa hora decidiu levar por diante, para à volta de uma mesa poder ouvir propostas e discutir a única região (natural) de Portugal Continental.

Pelo que enunciou, Miguel Freitas deverá estar já a definir na estratégia socialista os próximos passos para mais uma vintena de anos, porque, como referiu, os projectos que haviam estão aí e “é necessário pensar em novos para o futuro”, assim como no que concerne à Regionalização - um tema bastante focado nesta reunião - sendo que, o novo PROTAL “não serve inteiramente” e a CCDR do Algarve está “ferida” nas suas competências e desempenho regionais.

O líder do PS/Algarve anunciou mais cinco reuniões (CC) temáticas durante o corrente ano para debater as sugestões apresentadas pelos conselheiros, e declarou que a primeira reunião “correspondeu inteiramente às expectativas”, já que, foi produzido um conjunto de questões (agrupados em cinco temas) em que assenta a discussão sobre “o futuro do Algarve”. Aliás, o relator do Conselho Consultivo, António Neves, classificou de “vectores fundamentais”, a requalificação de competências, a componente ambiental e o “conflito” litoral-interior, o planeamento do emprego e a transmissão de valores cívicos, sociais e políticos, e ainda, a cidadania, sem esquecer que o facto do Algarve ser a região onde se regista maior indíce de abandono escolar tem que ser uma enorme preocupação.

Entretanto, Miguel Freitas referiu-se aos principais investimentos que estão no terreno, ou em vias disso, falando da construção da Barragem de Odelouca, da construção do Hospital Central do Algarve “que irá arrancar em breve” no Parque das Cidades, do Laboratório Nacional de Saúde Pública e do projecto do Pólo Tecnológico. Muito próximo de si, nesta reunião do CC, estavam o secretário de Estado Adjunto do primeiro-ministro, Filipe Batista, e o assessor do gabinete de José Sócrates, o economista André Magrinho, também algarvio.



Pouco peso político

É quase impossível destacar a totalidade das intervenções de vulto efectuadas neste Conselho Consultivo do PS/Algarve, pelo que nos vamos cingir apenas a alguns aspectos, sendo que, como disse Manuel da Luz, é sempre gratificante, “partir pedra” sobre o Algarve.

Por seu turno, Vitor Neto, um dos primeiros a expor os seus desagrados, considera que “o problema do Algarve somos nós” e não a CCDR, adiantando que “o território é pequeno e necessita de uma estratégia de longo prazo, sendo indispensável conhecer melhor a realidade efectiva”, e alertou para o facto de estar a sair do Algarve muita riqueza. Mas para Neto há um outro grande problema que é quase impossível de ultrapassar: “o pouco peso político da região”.

Para o convidado especial de Freitas, o deputado João Cravinho, eleito pelo Círculo de Faro, “o futuro de uma região europeia dotada de forte identidade”, virada para a Península Ibérica e para a Europa, passa pelo “bom uso dos recursos naturais” e pelo aproveitamente do “capital de experiência que já se possui” . Mas, ainda assim, “só se ganha numa perspectiva de longo prazo” e se a dita experiência for “aplicada inteligentemente”.

E disse ainda Cravinho, que “o problema do Algarve não é o dinheiro” que falta, porque, de facto, “falta qualquer coisa que vocês saberão o que é”, rematou, alertando ainda que a questão central na região algarvia “não é a Regionalização, mas sim o uso das competências que a mesma trará”.

Várias foram as vozes críticas na direcção da CCDR mas sempre com um “mas” pelo meio, embora quase não se tivesse falado de construção civil. Mas disse José de Deus, director do Oceanário de Sagres, que a CCDR “não sendo o problema da região, atrapalha muito”, porque “não há uma política regional, mas sim uma política de partes, parecida com uma manta de retalhos”, comparou.

O director-geral do BCI Algarve-Huelva, Dário Dias, disse na sua intervenção que é indispensável empreender, pois “o empreendedorismo não tem idade”. Olhou para o barrocal e a serra e sugeriu a criação da Agência “Ai” para tratar o desenvolvimento do interior, e assim se combaterem algumas das principais assimetrias. Já Paulo Bernardo (ANJE) defendeu a criação do Pólo Tecnológico do Algarve, para apoiar o empreendedorismo, entre outras valências.

O médico Luís Batalau, defendeu a criação de uma Faculdade de Medicina na região e sublinhou a importância de reduzir a nota de acesso para ser possível haver mais profissionais ao serviço da saúde. Sobre a mesa ficaram ainda muitas outras sugestões e aspectos, desde a preservação dos espaços húmidos, as pescas, o ambiente, os recursos tradicionais como os frutos secos e a cortiça, a água (com um desperdício de cerca de 40% em baixa) entre muitas outras questões, que certamente continuarão a marcar a agenda dos próximos encontros do Conselho Consultivo do PS/Algarve.

fonte: região sul
 
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