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Produtores florestais da Serra do Caldeirão defendem o uso das tradicionais pastagens de gado como a forma mais barata e produtiva de diminuir o risco de incêndio. Em vez de se utilizarem máquinas para abrir aceiros com tanta frequência, os animais consomem o mato levando à formação de aceiros naturais para prevenir a propagação dos fogos, defende a Associação de Produtores Florestais da Serra do Caldeirão.
Contudo, como a criação de gado ainda não é uma actividade rentável naquela zona, é preciso que haja incentivos do Estado para apoiar um sector que foi gradualmente foi desaparecendo das serras algarvias, disse à Lusa José Pedro Albuquerque, daquela associação.
"Seria uma forma mais económica e produtiva de fazer limpezas no mato", disse, defendendo ainda que a presença de gado até beneficiaria a zona em termos turísticos e paisagísticos.
A Serra do Caldeirão estende-se por uma área de cerca de 70 mil hectares - entre o Baixo Alentejo e o Barrocal Algarvio -, dez por cento dos quais serão integrados em Zonas de Intervenção Florestal (ZIF).
A área é rica em sobreiros - produzindo-se ali cortiça de alta qualidade, a actividade mais rentável, graças ao mercado da rolha -, medronheiros, mel e cogumelos, mas a pecuária foi desaparecendo por causa da desertificação e também por ser pouco lucrativa.
"No Algarve é cada vez mais raro ver-se gado a pastar nos campos, seria um pouco voltar às tradições", sugere aquele produtor, que acredita que a formação das ZIF é uma forma de potencializar estas actividades.
"A associação está a formar três ZIF de 2.500 hectares cada e vai ser mais fácil gerir a área como um todo do que cada proprietário mandar no seu hectare de terra", afirma, acrescentando que não está a haver resistência por parte dos produtores em se agregarem.
José Pedro Albuquerque defende a criação de gado num regime extensivo, ou seja, deve utilizar-se uma área grande com o mínimo de gado possível, pois o objectivo é produzir carne de qualidade, "sem hormonas e com crescimento mais lento".
O produtor florestal sublinha, contudo, que é preciso salvaguardar a regeneração natural de mato, pelo que seria necessário vedar determinadas áreas ao gado ou fazer cercados em torno de plantas que ainda estivessem em crescimento, para não serem consumidas pelos animais.
fonte: Observatorio do Algarve
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