Cientistas algarvios em expedição ao Pólo Norte estudam alterações climáticas |
 Cientistas algarvios deslocaram-se ao Árctico num cruzeiro oceanográfico para estudar os efeitos das alterações climáticas em algas microscópicas naquela região do Pólo Norte. Os resultados preliminares indicam que muitas espécies já sofrem alterações devidas ao efeito do aumento de temperatura. Numa altura em que a comunidade internacional se prepara para acompanhar a Conferência de Copenhaga, que decorre entre 07 e 18 de Dezembro, e visa travar de forma vinculativa as emissões de dióxido de carbono e as alterações climáticas
há um grupo de cientistas a analisar os genes de algas microscópicas simulando diferentes cenários de alterações climáticas.
Em entrevista à Lusa, Ester Serrão, uma das cientistas envolvidas no projecto europeu "Artic Tipping Points" alertou que os efeitos na cadeia alimentar podem ser drásticos.
O nome do projecto "Tipping points" refere-se à descoberta de limites críticos após os quais qualquer pequena alteração climática adicional pode causar uma mudança drástica no ecossistema, não regressando às condições originais.
Com as alterações climáticas registadas, os investigadores temem que muitas destas espécies de micro algas (plâncton), ou outros organismos que servem de base à cadeia alimentar dos mares, possam desaparecer ou ser substituídas por outras vindas de águas não polares, menos frias.
"Alterações no funcionamento da comunidade de espécies de micro algas podem causar efeitos drásticos em todos os animais e toda a comunidade de seres vivos, que dependem destas pequenas micro algas", observou a cientista.
No caso de algumas espécies poderem ser substituídas por outras de águas menos frias não se sabe se as novas espécies podem ser alimento alternativo, acrescentou a especialista.
O objectivo do Centro de Ciências do Mar do Algarve nesta investigação científica internacional é estudar os efeitos das alterações climáticas na biodiversidade das comunidades de fitoplâncton do Ártico, recorrendo à metatranscriptómica (método que estuda as sequências de centenas de milhares de moléculas dos genes usados pelas várias espécies da comunidade), explicou Ester Serrão.
O projecto de investigação europeia vai permitir saber, por exemplo, quais os genes utilizados pelos micro-organismos nas diferentes condições ambientais de temperatura e de radiação ultra-violeta.
Segundo Ester Serrão, a grande esperança desta pesquisa é que cruzando os dados com os possíveis cenários de alterações climáticas, alguns dos genes possam servir como "sinais de alarme", alertando para mudanças irreversíveis nos ecossistemas.
Produzir um retrato do estado das comunidades naturais que reflicta o nível do stress ambiental e os processos usados para a sua reparação e manutenção vai ser possível com o projecto.
O que diferencia esta pesquisa é a aproximação científica que se centra na busca de respostas dentro das células - os genes.
O grupo de investigadores pretende conhecer antecipadamente as mudanças irreversíveis nos ecossistemas devido às alterações climáticas e "alertar o mundo" para que se possam resolver estes problemas antes de se verificarem de facto alterações irreversíveis nas comunidades marítimas. fonte: http://www.regiao-sul.pt |