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Águas do Algarve aposta na energia «verde»
A energia solar fotovoltaica é, por enquanto, a principal imagem da aposta da Águas do Algarve (AdA), SA em desenvolver energia «verde», mas a empresa está a preparar-se para explorar outros modelos de produção. Poupar custos e reduzir a emissão de gases com efeito de estufa para a atmosfera são os principais objectivos a atingir com esta actividade acessória ao eixo principal da empresa, que gere os sistemas multimunicipais de saneamento e abastecimento da água.
O administrador da AdA, Artur Ribeiro, liderou esta sexta-feira, 30, a visita que mostrou à comunicação social alguns dos locais por onde passa a aposta na produção de energias renováveis, nomeadamente em Giões (Alcoutim) e na Barragem do Beliche (Castro Marim).

No âmbito da energia solar fotovoltaica, foram instalados até ao momento 47 sistemas solares, 40 dos quais ligados à rede eléctrica de serviço público – um deles em Giões – e os restantes em fase de ligação, sendo que 36 integram o Sistema Multimunicipal de Saneamento do Algarve (SMSA).

Estas unidades de microprodução têm uma potência total instalada na ordem dos 172,96 kilowatts (KW), 3,68 por cada sistema, produzindo anualmente cerca de 271 megawatts por hora (MWh).

A Águas do Algarve já efectuou, em Janeiro, oito novos registos para sistemas desta natureza. Com todos os painéis em funcionamento, haverá uma redução de cerca de 149 toneladas anuais de dióxido de carbono para a atmosfera.

A empresa já gastou 894 mil euros mas o investimento nos 55 sistemas de energia solar fotovoltaica vai ascender a um milhão de euros. “Um investimento que será amortizado em cinco anos”, disse Artur Ribeiro.

As receitas com a produção deste tipo de energia renovável vão anular em 7,97% o custo devido à EDP pelos gastos da Águas do Algarve em energia eléctrica no SMSA.

Como os painéis têm um tempo útil de vida superior a 20 anos, o benefício total rondará os 3 milhões de euros, segundo a previsão do responsável: “Vão ser 15 anos a «render»…”

Eólica em medições…

Ainda em Giões, foi instalada uma torre de medição, que tem aferido, nos últimos seis meses, o potencial eólico da zona, o qual apenas será avaliado após mais seis meses de medição.

O administrador da AdA, Artur Ribeiro, não quis «levantar o véu» sobre a possibilidade de ali instalar um parque eólico, apesar de esse ser um cenário considerado como “expectável” no comunicado distribuído pela empresa.

“Só no fim da medição saberemos se há resultados ou não. Com seis meses ainda não é possível definir isso, é preciso testar a capacidade durante o ano inteiro”, afirmou o responsável.

Se o desfecho for positivo, a Águas do Algarve avançará para uma parceria com o seu principal accionista, a Águas de Portugal, uma vez que este tipo de investimento “é muito avultado”, frisou o administrador, que pondera avançar, no futuro, com medições em Monchique e Cachopo.

Micro-hídrica no Beliche

Na Estação de Tratamento de Águas (ETA) do Beliche, a AdA colocou uma central micro-hídrica que, a partir de Março, aproveitará a energia cinética e potencial do caudal de água bruta para a produção eléctrica a utilizar naquela instalação.

A empresa produzirá anualmente cerca de 78 MWh, que serão consumidos na própria ETA, anulando cerca de 10,7% da energia eléctrica proveniente da rede e reduzindo o custo anual em 13,3%, para além de emitir menos 47 toneladas anuais de dióxido de carbono para a atmosfera.

Trata-se de um “projecto-piloto e inovador em todo o Grupo Águas de Portugal”. Já está em fase de estudo a instalação de mais cinco pontos deste tipo no Algarve, com uma potência total instalada de 295 MWh.

Por último, a produção de energia através de centrais de digestão anaeróbia, com recurso ao biogás, está em fase de estudo para duas ETAR, nomeadamente Lagos e Companheira (Portimão).

Com esta aposta em energias renováveis, a Águas do Algarve está a dar “o exemplo”. “É um conjunto de medidas com rendimento altamente vantajoso, em termos ambientais e económicos”, concluiu Artur Ribeiro.
 
 
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