 Iniciativa da Universidade do Algarve continua a despertar interesse por uma das espécies mais ameaçadas do mundo e adiciona escola de Faro à causa. Atenções viram-se agora para a nova barra da Fuzeta e para as consequências das dragagens nas pradarias marinhas da zona. O Algarve completa o ano de 2010 com seis pradarias marinhas adotadas, que se juntam às outras sete, no mapa nacional, já alvo de proteção por parte de associações ou coletividades.
O programa «Adote uma pradaria marinha» é uma iniciativa do Centro de Ciências do Mar da Universidade do Algarve, patrocinado pelo Oceanário de Lisboa e desenvolvido pela empresa Gobius Comunicação e Ciência, que pretende envolver os cidadãos na monitorização e na proteção de um dos ecossistemas marinhos mais vulneráveis da costa portuguesa. O facto de a Ria Formosa ser uma zona de excelência na reprodução destes habitats justifica o facto de quase metade dos experiências de preservação estarem situadas nos concelhos de Faro e Olhão. O caso da Culatra é, aliás, paradigmático, visto que, se ao início, os viveiristas locais nem sempre conviveram bem com estas plantas, nomeadamente com a sebarrinha, que foi vista muito tempo como uma espécie de erva daninha subaquática, a sensibilização feita pela bióloga Alexandra Cunha, dinamizadora do projeto, fez com que a Associação de Moradores da Ilha da Culatra acabasse por formalizar, em Julho, a adoção da pradaria marinha existente em frente ao núcleo habitacional da ilha. «A ideia evoluiu muito além das nossas expetativas, até porque nunca pensámos que, desde o lançamento do sítio do projeto, há menos de um ano, conseguíssemos adotar tantas pradarias», disse Alexandra Cunha ao «barlavento». A mais recente entidade a juntar-se à causa foi a Escola Secundária Pinheiro e Rosa (Faro) que, através da área de projeto e da motivação da professora de biologia, apadrinhou uma pradaria junto à Praia de Faro. Para a também investigadora do Centro de Ciências do Mar e presidente da Direção Nacional da Liga para a Proteção da Natureza (LPN), a prova de que o programa está igualmente a ser reconhecido pelas entidades governamentais é o facto de os responsáveis do «Adote» terem sido consultados, agora que se prepara a reabertura da nova barra da Fuzeta, entretanto assoreada. Segundo Alexandra Cunha, «apesar do estado débil daquela mancha de Zostera marina» – precisamente adotada pela LPN –, situação comum no Inverno, a abertura da barra ainda não provocou danos. No entanto, haverá «vigilância» nos próximos meses, uma vez que «a principal preocupação reside na evolução do delta de maré que irá formar-se e migrar para nascente, em direção à pradaria». Da mesma forma, a dinamizadora do projeto salienta que quer a Administração da Região Hidrográfica do Algarve, quer o Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade já informaram que as novas dragagens vão fazer-se a algumas centenas de metros das pradarias, permitindo que as plantas se adaptem e migrem também para nascente. Perguntas e respostas sobre pradarias marinhas: O que são ervas marinhas? Também chamadas de sebas, são plantas que crescem em ambiente aquático e pertencem a um grupo que evoluiu a partir de plantas terrestres, há 100 milhões de anos. São constituídas por raízes, caule e folhas e têm capacidade de produzir flores, frutos e sementes. Funcionam como refúgio contra predadores e como suporte das posturas do choco e do búzio. Onde se podem encontrar pradarias? Das 60 espécies conhecidas mundialmente, apenas quatro são autóctones das águas europeias. Em Portugal, existem três dessas espécies: Zostera marina, Zostera noltii e Cymodocea nodosa. A Zostera marina ou sebas (nome vulgar) pode ser encontrada na Lagoa de Óbidos, na Costa da Galé, no estuário dos rios Sado e Mira e nas rias Formosa e Aveiro. Já a Zostera noltii ou sebarrinha (nome vulgar) forma pradarias nos estuários dos rios Mondego, Tejo, Sado, Mira, Guadiana e Arade e nas rias Formosa, de Aveiro e de Alvor. Por último, a Cymodocea nodosa ou sebas (nome vulgar análogo ao da Zostera marina) é caraterística de águas mais quentes. Encontra-se no estuário do Sado, na Ria Formosa e nas praias da costa Algarvia. Quem pode adotar? Qualquer entidade, bastando para isso contactar o Centro de Ciências do Mar da Universidade do Algarve (289800051). Pradarias marinhas adotadas no Algarve:
Pradaria de Zostera marina (Fuzeta) Local: Ria Formosa Área: 0,3 ha Entidade adotiva: Liga para a Proteção da Natureza
Pradaria de Zostera marina (Culatra) Local: Ria Formosa Área: 1 ha Entidade adotiva: Associação de moradores da Ilha Culatra
Pradaria de Zostera noltii (Ilha de Faro) Local: Ria Formosa Área: 1 ha Entidade adotiva: Algae – Ecologia e Plantas Marinhas
Pradaria de Cymodocea nodosa (Ilha de Faro) Local: Ria Formosa Área: < 1 ha Entidade adotiva: Gobius Comunicação e Ciência
Pradaria de Cymodocea nodosa (Albufeira) Local: Arrifes, Albufeira Área: 1 ha Entidade adotiva: Scubasurf (Luís Mota)
Pradaria de Zostera marina (Ilha de Faro) Local: Ria Formosa Entidade adotiva: Escola Secundária Pinheiro e Rosa Pradarias marinhas adotadas no resto do país:
Pradaria de Zostera noltii Local: Rio Mira Área: 1 ha Entidade adotiva: Universidade de Évora
Pradaria de Zostera noltii Local: Ponta do Adoche Área: 1 ha Entidade adotiva: Universidade de Lisboa
Pradaria de Cymodocea nodosa Local: Parque Marinho Prof. Luiz Saldanha Área: < 1 ha Entidade adotiva: Oceanário de Lisboa
Pradaria de Zostera noltii Local: Rio Tejo Área: 1 ha Entidade adotiva: Universidade de Lisboa
Pradaria de Zostera marina Local: Lagoa de Óbidos Área: 1 ha Entidade adotiva: ESTM, PATO, AcquaOeste
Pradaria de Zostera noltii Local: Rio Mondego Área: 1 ha Entidade adotiva: Universidade de Coimbra
Pradaria de Zostera noltii Local: Rio Mondego Área: 1 ha Entidade adotiva: CESAM fonte: http://www.barlavento.pt |