 Dois projetos do Centro de Ciências do Mar (CCMar), associado à Universidade do Algarve, venceram a primeira edição do «InAqua – Fundo de Conservação by Oceanário de Lisboa e National Geographic Channel». Os projetos «Cavalos-marinhos em risco na Ria Formosa?» e «Deep Reefs» foram escolhidos entre oito candidatos para receber, em conjunto, um financiamento de 25 mil euros, que os ajudará a arrancar.No caso dos cavalos-marinhos, a iniciativa é uma extensão do projeto Seahorse, que é desenvolvido há anos na Ria Formosa.
Estudos recentes determinaram que a população de cavalos-marinhos tem vindo a diminuir drasticamente e a ideia é perceber porquê e tentar fazer algo para o inverter. Quanto ao projeto «Deep Reefs» surgiu em Março passado e já convenceu entidades públicas e privadas, que a ele se associaram. Dirigido pela bolseira do CCMar Joana Boavida, o projeto pretende fazer um levantamento da biodiversidade marinha existente em recifes rochosos em diferentes pontos da costa portuguesa, entre os 30 e os 70 metros de profundidade. Segundo Joana Boavida, o estudo começou «sem qualquer financiamento», mas depressa se desenvolveu. «Trata-se de um projeto de cooperação, que junta entidades científicas, organismos públicos, empresas, Organizações não Governamentais e pessoas a título individual», revelou a investigadora. Os apoios que permitiram começar o trabalho de campo foram surgindo desde então e a ele se juntam os 14 mil euros deste prémio. O «InAqua» foi criado, precisamente, «com o objetivo de estimular o setor empresarial e a sociedade civil a envolverem-se ativamente na conservação dos ecossistemas aquáticos», segundo os promotores da iniciativa. O dinheiro atribuído foi angariado, exclusivamente, pela Throttleman, através da angariação resultante da venda da linha de t-shirts produzida no âmbito da campanha solidária «Throttleman apoia os oceanos». O «Deep Reefs» enquadra-se perfeitamente nos objetivos dos promotores do prémio. Além de pretender estudar um habitat muito pouco conhecido, «por se situar abaixo da faixa do mergulho recreativo» e ser de difícil acesso para máquinas de investigação subaquática, a iniciativa tem como premissa a disponibilização da informação recolhida, «para que as entidades que gerem as áreas marinhas tenham informação de base para poderem fazer o seu trabalho de forma mais eficiente». «É uma zona cinzenta, no que toca ao conhecimento científico», ilustrou Joana Boavida. Este prémio surge como um financiamento inesperado, mas muito pertinente. «Vamos utilizá-lo para comprar material que necessitamos nesta fase de arranque, como máquinas fotográfica e de filmar subaquáticas, material que é dispendioso». O mapeamento da biodiversidade não constará apenas no papel, estando prevista «a edição de um documentário, que estará pronto dentro de dois ou três anos». Os recifes rochosos são elementos fundamentais para a Biodiversidade e são, ao mesmo tempo, «habitats protegidos por diretivas internacionais». As zona a estudar são a Arrábida, em Setúbal, as Berlengas, ao largo de Peniche, e a área entre Armação de Pêra e Lagos, no Algarve. Para já, a equipa do «Deep Reefs» está a trabalhar na Arrábida. O trabalho de campo está a ser desenvolvido com a ajuda de cerca de 20 membros da associação «Entrada», dedicada ao mergulho. «Somos todos formados em mergulho descompressivo e há alguns mergulhadores com treino em mergulho em cavernas», revelou Joana Boavida. fonte: http://www.barlavento.pt |